NUREG

História do Núcleo

O NUREG foi criado oficialmente junto ao CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, em 1994, como “Núcleo de Estudos sobre Regionalização e Globalização”, coordenado pelo prof. Rogério Haesbaert, do Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense, e com a participação, também, dos professores Jorge Luiz Barbosa e Ivaldo Lima. A mudança de eixo temático ao longo dos anos 2000, da questão regional para a questão territorial, e o ingresso de um segundo coordenador (“líder” na designação do CNPq), Timo Bartholl, em 2019, levaram à alteração de seu nome para “Núcleo de Estudos Território e Resistência na Globalização”, mantendo, contudo, a mesma sigla, NUREG.


O Núcleo iniciou intensamente articulado ao curso de Graduação em Geografia da UFF. Em seus primeiros dois anos as atividades se desdobraram basicamente em torno da finalização da tese de doutorado do coordenador, com participação de estudantes de graduação, inclusive em trabalhos de campo no oeste da Bahia. Esta pesquisa resultou no livro “Des-territorialização e identidade: a rede ‘gaúcha’ no Nordeste”, publ icado pela editora da UFF em 1997. O Núcleo esteve diretamente envolvido na criação do PET, tendo seu coordenador exercido também a tutoria desde a fundação, em 1996, até o ano 2000. Integrou 13 estudantes bolsistas de graduação, que desenvolveram diversos projetos de pesquisa e extensão. Outro projeto importante desenvolvido pelo Núcleo e que congregou diversos professores doDepartamento (e ainda o prof. João Rua, da PUC-Rio) foi a organização da coletânea “Globalização e Fragmentação no Mundo Contemporâneo” (Editora da UFF, 1998, revista e atualizada em 2011). A partir de 1998 o coordenador passou a ser bolsista de produtividade em pesquisa pelo CNPq, com o projeto “A região frente aos processos de globalização/fragmentação e a formação de uma região transfronteiriça entre países do Mercosul”. Este projeto envolveu trabalhos de campo com alunos de graduação e mestrado (incluindo uma dissertação sobre os “brasiguaios”) no Paraguai, na Argentina e no Uruguai.

Em 1999 o NUREG teve papel ativo na criação do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense, cuja proposta esteve vinculada à área de Geografia Regional. O coordenador engajou-se também na criação da revista do Programa, GEOgraphia, mantendo participação direta no comitê editorial até 2020, quando Timo Bartholl passou a integrá-lo. Mesmo durante a realização de estágio pós-doutoral pelo coordenador (Open University, Inglaterra, 2003-2004), o Núcleo, por iniciativa dos estudantes, manteve suas atividades através do grupo de debates.


Resultado desse estágio pós-doutoral foi o livro “O mito da desterritorialização: do ‘fim dos territórios’ à multiterritorialidade” (Editora Bertrand Brasil, 2004; 12ª ed. em 2020 e publicado em espanhol em 2011). Em 2007, dentro do projeto de pesquisa “Des-territorialização e Regionalização no Espaço Sul-Brasileiro”, dois estudantes bolsistas receberam o Prêmio Vasconcelos Torres de Iniciação Científica, 1º lugar na área de Ciência Humanas da UFF. As pesquisas na área de Geografia Regional e a experiência ao longo de mais de 20 anos de ensino na graduação, levaram à publicação, em 2010, do livro “Regional-Global: dilemas da região e da regionalização na Geografia contemporânea” (edição em espanhol em 2019). O interesse por um grande clássico da Geografia Regional, Paul Vidal de la Blache, levou também à construção de projeto conjunto de tradução que resultou na coletânea “Vidal, Vidais”, organizada com Sérgio Nunes (tutor do PET-UFF e colaborador do Nureg) e Guilherme Ribeiro (ex-doutorando do PosGeo-UFF e hoje professor da UFRRJ). O livro contou ainda com a contribuição de geógrafos franceses (Paul Claval, autor do prefácio, Marie-Claire Robic e Sylvain Souchaud). Após alguns anos como representante do Comitê de Geografia Cultural para a América Latina da União Geográfica Internacional, juntamente com Perla Zusman, organizou-se, em Buenos Aires, um seminário internacional sintetizado no livro “Geografías Culturales: aproximaciones, intersecciones y desafios”, publicado em 2011. Como resultado de pesquisa iniciada em 2007 em áreas periféricas do Rio de Janeiro e debates teóricos sobre biopoder, especialmente na obra do filósofo Michel Foucault, foi publicado em 2014 o livro “Viver no limite: território e multi/transterritorialidade em tempos de in-segurança e contenção”, traduzido para o espanhol em 2020.

 

Pelo NUREG, até 2020, já passaram 52 orientandos de graduação, 28 mestrandos, 19 doutorandos e 9 pós-doutorandos, além de inúmeros professores e estudantes da UFF e de outras instituições (UERJ, PUC-RJ, UFRJ) que participam regularmente das reuniões quinzenais do grupo de debates e/ou dos dois grupos de trabalho recentemente criados (Pesquisa e[m] ação e O[u]tras economias). É importante destacar o caráter interdisciplinar do grupo, aglutinando áreas como, além da Geografia, Educação, Sociologia, Antropologia, História, Comunicação Social, Turismo etc. Ressalte-se a participação atuante das professoras Maria Lucia de Oliveira (Educação-UFF), desde 2008, e Ana Angelita Rocha (Educação-UFRJ), desde 2008. Também deve-se destacar a amplitude geográfica de origem/destino desses estudantes e profissionais que, em diferentes etapas de sua formação, passaram pelo Núcleo – desde instituições como o IBGE e o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, à UFF-Campos, UFRJ, UFRRJ, UFES, UESB, UFG, UNEMAT, UFMT, UFGD, UFRGS, UFPA, UFAC, UFSE, UERN, UFMA. Em nível internacional, foram realizados intercâmbios com participação de estudantes da Argentina, Chile, Colômbia, México, Cabo Verde e Angola.

Ao longo destes mais de um quarto de século de existência do Núcleo foram desenvolvidos vários projetos de pesquisa (ver item específico neste sítio), atividades de extensão e consultoria, incluindo projeto de regionalização da faixa de fronteira do Brasil realizado juntamente com o Grupo RETIS-UFRJ, para o Ministério da Integração Nacional, em 2005, Diversos intercâmbios também se desdobraram com outros grupos de pesquisa, como o LEMTO-UFF (resultados como o livro “A nova desordem mundial”, com Carlos Walter Porto-Gonçalves, em 2006, e o IV Encontro da Cátedra América Latina e Colonialidade do Poder, organizado também com a UFRJ, em 2013), Modernidade e Cultura (IPPUR-UFRJ, resultando no livro “Identidades e Territórios”, de 2007, organizado com Frederico Araújo e com participação dos doutorandos Amélia Bezerra e Valter Cruz), NIEM (IPPUR-UFRJ), GETERR (Unioeste), RegionAL (UNIFESSPA), etc.

 

Em nível internacional promoveu-se a visita de pesquisadores reconhecidos, como Doreen Massey, Paul Claval, Jacques Lévy, Benno Werlen, José Alberto Fernandes,  Zoran Roca, Stephen Legg, Sam Halvorsen e Ralf Ruckus. Foram efetuados intercâmbios, incluindo na categoria de professor visitante (prof. Rogério Haesbaert), nas Universidades de Buenos Aires e Tucumán, Argentina (onde hoje é professorregular dos cursos de Pós-Graduação), Toulouse-Le Mirail e Paris VIII, França, CRIM-Cuernavaca e Colégio de Michoacán, México, Universidad Politécnica Salesiana, Equador, Universidad de Antioquia, Colômbia, e Open University, Inglaterra. Durante essas estadas e dentro do projeto de pesquisa “O território como categoria da prática social numa perspectiva latino-americana”, iniciado em 2014, foram realizadas diversas atividades de campo em comunidades periféricas urbanas e indígenas, como purépecha de Cherán (México), mapuche de Temuco (Chile) e cayambe do Equador. Com a recente entrada do prof. Timo Bartholl, também coordenador do Núcleo, ampliaram-se os intercâmbios internacionais, incluindo grupos de pesquisa na Alemanha e outros países da América Latina, e fortaleceram-se as atividades de extensão, principalmente aquelas vinculadas a movimentos sociais em áreas periféricas do Rio de Janeiro e Niterói, inclusive em sua atuação durante a pandemia.


Em síntese, as atividades do Núcleo de Pesquisas se desdobram em torno de três grupos: o grupo de debates, coordenado pelo prof. Rogério Haesbaert, que se reúne regularmente (em média a cada duas semanas), com programação de leituras, apresentações de teses e dissertações e eventos com convidados; dois grupos de trabalho, coordenados pelo prof. Timo Bartholl, Pesquisa e(m) ação e O(u)tras economias, com programação regular de atividades de pesquisa e extensão.